Domingo, 29 de Outubro de 2006

Traição

 

 

 

 

Helena sempre foi feliz. Ou sempre se julgou assim. Estava casada desde que se lembrava, ele foi o seu primeiro amor e jamais olhou para outro homem. Viviam em Paz, sem sobressaltos, numa vidinha que lhes bastava. Os filhos completavam o quadro e eram a cereja no topo do bolo. Todos os tinham como exemplo, aquele sim, aquele era um casamento feliz, o modelo do que todos queriam para si.

 Mas um dia, Helena abriu os olhos e viu o que não queria ver… Foi na net que o conheceu, as palavras meigas, os desabafos, as poesias, tudo foi se somando e formou uma bola de neve de uma dimensão demasiado grande para ignorar. Começou a questionar a vida que sempre teve, perguntou onde foi que se esquecera do significado da vida, onde foi que perdera o entusiasmo, a adrenalina, o prazer pelo sexo e pela aventura…O que ontem era Paz e aconchego hoje não passava de ficção, a vida que vivera desde sempre já não lhe bastava, ela queria novas emoções, ela queria outros braços, ela queria gritar ao mundo que amava. Ela queria muito do que não fez, porque teve medo e recuou…Recusou o incerto pelo certo, optou pela estabilidade em seu nome e dos que dependiam dela para serem felizes, aqueles que sempre foram seus e que sairiam a perder com isto tudo. Escondeu-se do mundo e ignorou aquele amor que nascera, sem sequer lhe dar a chance de voar. Nunca saciou a sua sede, ficou-se pela amargura e pela saudade do que não foi e poderia ter sido. Mas não voltou a ter a Paz que tinha, jamais esqueceu o que descobrira existir, e o que tinha já não a fazia feliz. Ainda assim decidiu que tudo não passaria de um sonho…

 

Mas Helena mudou e António, o marido, percebeu…Ela acabou por confessar o seu amor platónico e a amargura dele foi imensa. Ele acusou-a de traição, da pior das traições: A emocional. Mais valia teres um caso com um tipo qualquer e dar por ai umas voltas com ele, mas não misturares sentimentos. Isso ainda poderia perdoar, a carne é fraca…Agora isto??? Jamais te perdoarei…

  

 

 


 

 Dona de uma vida familiar e profissional invejável, Laura sabia ser uma mulher desejável, mas desde que encontrara aquele que sentia ser o homem da sua vida, sempre ignorara as subtilezas dos homens, os olhares de desejo, os sussurros com segundas intenções. Ao fim de dez anos de vida em comum, ainda era feliz. A relação de ambos era baseada na confiança e na certeza que estariam juntos para sempre. Nunca pressentiram ou avaliaram qualquer tipo de perigo. Sentia que tinha dele tudo o que precisava, mesmo depois de a vida ir amornando com a rotina, mesmo quando sabia que a chama do desejo tinha esmorecido por uma vida extremamente cansativa e exigente. Não fazia falta a excitação, ela esquecera-se que isso um dia existiu…

Mas um dia a carne traiu-a. Bastou um encontro num elevador e um olhar que a incendiou…Um toque ligeiro no braço, um roçar de pele, um sorriso…Ela sentiu algo que já não lembrava se algum dia tinha sentido. O corpo reagiu e agiu por impulsividade. Sorriram, saíram, foram dançar…Acabaram a noite num quarto de Motel, dando asas a um desejo alucinante, onde realizou completamente fantasias que desconhecia possuir. Sentiu-se completa a cada minuto daquela noite e nem se lembrou do marido…Nunca mais veria o seu amante, estava apenas de passagem pela cidade, não ficariam marcas nem haveria lugar a continuidade. Uma noite apenas, que ela não iria repetir…

 

Mas alguém a viu e contou a Pedro, o marido…Ela nem ousou negar e procurou assegurar-lhe que em nada haviam mudado os seus sentimentos para com ele. Foi apenas uma tentação, uma noite, a fragilidade da carne…Ele não perdoou e acusou-a da pior das traições. A do puro prazer, a da leviandade. Se, ainda ao menos tivesse havido sentimentos, se fosses movida pela emoção…Mas não, és uma vadia. Jamais te perdoarei…

  

  


 Duas histórias, duas traições…

Serão iguais?

Valerão o mesmo?

Será que António e Paulo são assim tão diferentes, ou reagiriam igual se as suas histórias se trocassem?

Athena


publicado por amazonas às 17:24
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17 comentários:
De Marcantónio a 29 de Outubro de 2006 às 21:03
bem, os sentimentos nao se controlam e portanto a primeira ao resistir apesar de sentir amor teve uma atitude heroica e portanto o marido apesar de ferido podia perdoar e quem sabe ajudar a ultrapassar.

A segunda agiu por razoes puramente fisicas e mentiu... Foi traição pura. O marido descobriu por outros meios ainda por cima, mais humilhante foi. Já agora podia perguntar lhe porque nao lghe contou ela as fantasias e resolviam isso..


De amazonas a 30 de Outubro de 2006 às 01:38
Eu creio que ela não lhe contou as fantasias porque nunca teve noção de que as tinha...Será que não entraram as duas na história com a mesma inocência?

Ficou clara para mim a tua opinião sobre o valor de cada traição, obrigada pela presença e pela opinião.

Volta sempre

Athena


De Padre Borrego a 29 de Outubro de 2006 às 21:08
SAO AS DUAS UMAS PECADORAS!!!!!! IDE-VOS ARREPENDER ANTES QUE SEJA O FIM! REZAI 20 PAI NOSSOS POR DIA!


De amazonas a 30 de Outubro de 2006 às 01:31
Eu, honestamente, também acho que são pecadoras, mas os nomes delas são Helena e Laura , não Athena e Ariana... Partindo desse pressuposto, esses 20 Pai Nossos não são para aqui chamados...

Além de que, se assim fosse, o senhor teria que rezar bem mais! Onde se viu um padre entrar num blog com a tag de sexo (como foi o caso) e ainda por cima dar sermões de Puritanismo?

Ah, aproveitamos para esclarecer algo: Nós somos freiras...

Beijo na boca para si! Das duas


De Morgaine a 29 de Outubro de 2006 às 21:10
isto é muito complicado para a minha mente pequenina...

Para além de que há muitos factores envolvidos e nenhuma explicação é simpes


De amazonas a 30 de Outubro de 2006 às 01:35
Concordo plenamente.Também eu busco uma resposta para isso e já lá vai muito tempo;)

Beijinho para ti, e bem vinda ao nosso humilde detalhe


De FRANCEL a 29 de Outubro de 2006 às 21:13
Pois, mas se acontecesse com eles, elas perdoariam de certeza, porquê eles não perdoam? là tá o orgulho de macho a trabalhar a mente.
Sei disso porque falo de experiência própria... perdoei
e nãoi estou nada arrependida.


De amazonas a 30 de Outubro de 2006 às 01:39
Mas ficam sempre mazelas, fantasmas! Ou não???

Bj , obrigada por vires


De Crystal a 30 de Outubro de 2006 às 01:52
Olá, vim até aqui recomendada por uma amiga, pois o tema mexe comigo e ela sabe-o bem…
Eu acho que, quando existe uma traição emocional, como a da Helena, as coisas não são nada simples de julgar. O amor acontece sem darmos por ela, o sofrimento é grande e eu não lhe chamo pecado: Chamo-lhe AMOR.

Se calha de existir realmente um Deus que julgue isto como uma traição e um pecado, porque raio ele, que tudo pode e onde em todo lado está, não impediu que esse amor nascesse? Ela não pediu, ela não queria, pura e simplesmente foi-se deixando envolver, dando conta que existiam tantas coisas que lhe faziam falta sem saber…Sou incapaz de a chamar de traidora.

Já a Laura, poderia encontrar várias justificações, ou poderia pelo menos tentar ver as coisas por outro prisma mas…Fica para uma próxima vez, combinado?

Gostei do blog, e dos temas que aqui trazem.

Um beijo para as duas


De amazonas a 31 de Outubro de 2006 às 18:17
Crystal bem vinda. Este tema é sempre complicado bem o sabemos. Ninguem quer acusar ou julgar ninguém mas já reparaste na quantidade de pontos de vista que podemos obter em histórias de traições..? é um sem fim de palavras.
beijos e volta sempre


De Bernardo da Maia a 31 de Outubro de 2006 às 08:37
Bom Dia.......Antes de mais nada, gostei muito do que observei e li aqui neste bonito e acolhedor espaço. Por isso os meus parabens.

Quanto ao post, posts, quem já não cedeu a uma tentação, seja ela de que forma fôr, ninguém nasce perfeito, isto se considerarem fidelidade um acto de perfeição.....por vezes não é a mente que manda no corpo, mas sim o corpo que manda na mente e aí nada podemos fazer.......saõ as nossas pequenas mas grandes drogas......

Bjs


De amazonas a 31 de Outubro de 2006 às 18:22
Olá Bernardo da Maia, bem vindo tu também e obrigada pelo elogio ao blog. Gostamos de saber que somos apreciadas e comentadas sem tabus e com respeito. Quanto a tentações, começaram logo com a Eva a comer a maçã e já lá vai algum tempo, o Adão também claro, que fique assente. Mas ninguem escapa isso é verdade, e, penso que no fundo a mente é que deve ser suficientemente forte para combater o corpo, mas isso é outra história.
Beijos aqui da gente e volta sempre.


De gomesh a 31 de Outubro de 2006 às 13:16
Uma traição tem muito por onde se lhe pegue... sera que e pior qualquer um destes casos ou se calhar alguma outra situação que mexe com os coraçoes e sentimentos de um casal. Eu pessoalmente nao acredito que ninguem nunca traiu a(o) parceira(o), nem que seja mentalmente... sao coisas que acontecem e cada um de nos deve ficar com uma mente aberta... se magoa se ficamos a saber... certamente que sim... mas se amamos a pessoa com quem estamos temos de ser pacientes e analisar o porque do que aconteceu... Nao sou propriamente religioso... mas "aquele que nunca pecou que atire a primeira pedra..."


De Ariana a 31 de Outubro de 2006 às 14:11
Athena perdoa-me... mas tinha de aplaudir o Gomesh. Frontalidade!!!
bjs


De gomesh a 31 de Outubro de 2006 às 17:16
Aplausos recebidos - grato :-)


De amazonas a 31 de Outubro de 2006 às 22:13
E eu também gostei! Obrigada, volta sempre


De Zoink a 9 de Novembro de 2006 às 12:41
Pois, tema complicado... mas na minha opinião ambas as traições são diferentes têm valores diferentes... ambas poderão magoar e trazer mazelas à relação... ambas devem ser conversadas debatidas, "analisadas" pelos dois, pois quando existe traição algo já não vai bem .. (nem sempre, talvez) mas generalizando quando um homem vê uma mulher "boa" na rua... para onde olha e o que lhe passa pela cabeça será traição... (vice-versa também - Mulher vê homem).


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